O planejamento estratégico na advocacia representa o ponto de partida para qualquer escritório que busca crescer de forma estruturada. Mais do que um conceito teórico, ele orienta decisões, define prioridades e direciona esforços.
Na prática, quando o escritório planeja com clareza, toda a equipe passa a trabalhar com mais foco. Como resultado, os objetivos deixam de ser abstratos e se tornam metas alcançáveis, conduzindo o negócio a um crescimento mais consistente e previsível.
O que é planejamento estratégico na advocacia?
Planejamento estratégico na advocacia é um processo que seleciona as melhores ações para atingir os objetivos formulados para o escritório. Para estabelecê-los, é preciso analisar as condições internas e externas ao negócio. Em outras palavras, é pensar onde se quer chegar e o que fazer para atingir tal patamar.
Chiavenato, um dos autores de gestão empresarial mais consagrados no Brasil, dizia que a implementação estratégica “requer organização, coordenação, incentivo às pessoas, controles, acompanhamento intenso e, sobretudo, liderança estratégica por parte do executivo principal e liderança tática e operacional por parte dos gerentes e supervisores. Sem a participação e o compromisso de todas as pessoas, a estratégia não acontece.”
Ou seja, a partir do envolvimento de todos os profissionais do escritório, o planejamento estratégico na advocacia considera diversos fatores para atingir seus objetivos, como recursos, estrutura, posicionamento de mercado e oportunidades disponíveis que são detalhados no plano de negócios. Para isso, o gestor analisa tanto o ambiente interno quanto o externo.
Plano de negócios: tirando a estratégia do papel
O planejamento estratégico na advocacia precisa da definição dos fatores chave de sucesso. Eles demonstram o que é necessário para o desenvolvimento do escritório, considerando as ações de curto, médio e longo prazos. Como resultado disso, temos o plano de negócios, que é um documento mais detalhado do planejamento. Ele inclui:
- Planos e previsões financeiras, o que inclui verba para investimento e retiradas pró-labore;
- Análises de mercado (fator externo) para definir a área de atuação de maior destaque para determinado mercado consumidor;
- Avaliação de estratégias;
- Simulações de cenários;
- Rotinas operacionais (gestão de processos, marketing, operacionais).
No entanto, é importante considerar um fator específico da advocacia: a imprevisibilidade da receita. Como muitos ganhos dependem do sucesso de ações judiciais, o planejamento exige revisões frequentes e ajustes constantes.
A importância do acompanhamento e controle
Definir a estratégia é apenas o começo. Em seguida, o escritório precisa acompanhar a execução de perto. As interferências externas sempre podem comprometer os planos traçados, e isso se acentua ainda mais na advocacia diante da incerteza do andamento dos processos nos tribunais. E se alguma estratégia não dar certo por algum motivo?
Por exemplo, se o escritório investe em marketing jurídico por meio de um blog, mas não mantém consistência nas publicações, os resultados tendem a cair. Nesse caso, o gestor deve agir rapidamente, ajustando processos ou redistribuindo responsabilidades.
Necessidade do planejamento estratégico na advocacia
O envolvimento dos sócios e de todos os profissionais do escritório é o que determina o sucesso de um planejamento estratégico na advocacia. Assim, é possível resguardar os valores e a missão do escritório.
A partir do momento em que os processos de trabalho são passíveis de avaliação e controle, os objetivos e as metas traçadas podem ser cumpridas com mais facilidade. O resultado são os benefícios do planejamento, quais sejam:
- Equipe coerente, o que possibilita o crescimento mais rápido do escritório;
- Definição de metas reais e de prioridades conforme o momento do negócio;
- Criação de linhas de trabalho que facilitam a execução do fluxo de tarefas que devem ser realizadas para atingir os objetivos;
- Criação de um banco de dados com o histórico das ações, o que auxilia na melhor tomada de decisões.
Ferramentas de planejamento estratégico na advocacia
Para implementar o planejamento estratégico na advocacia, existem ferramentas que auxiliam em todas as suas etapas. O Balanced Scorecard e a matriz SWOT são utilizadas ao redor do mundo e se mostram bastante eficazes.
Balanced Scorecard (BSC)
Robert Kaplan e David Norton são os norte-americanos responsáveis por criar o Balanced Scorecard (BSC), ferramenta utilizada para medir e avaliar o desempenho dos profissionais de uma organização.
Ela é colocada em prática em seis etapas, e possui como centro a definição da estratégia conectada aos serviços e à infraestrutura do negócio.
Suas etapas são:
- Desenvolvimento da estratégia: considera o propósito e os objetivos da organização para defini-la;
- Mapa estratégico de execução: a estratégia é traduzida em um mapa para facilitar sua visualização;
- Alinhamento da equipe: momento em que se deve alinhar profissionais, departamentos, chefes e sócios do escritório em torno do mesmo objetivo e da mesma estratégia;
- Coerência: etapa em que é necessário vincular prioridades estratégicas às melhorias operacionais para evitar desperdício de recursos e desvios de finalidade;
- Reuniões de revisão: os envolvidos devem se reunir para rever estratégias, com o fim de monitorar e guiar sua implementação, bem como de reconhecer e corrigir erros.
- Teste periódico: é preciso testar e adequar a estratégia em curso.
Matriz SWOT
A Matriz SWOT é uma ferramenta desenvolvida na década de 60 que é bastante conhecida. SWOT é a sigla para Strenghts-Weakness-Opportunities-Threats. Não sem razão, ela é a ferramenta que identifica forças (S), fraquezas (W), oportunidades (O) e ameaças (T), que são os elementos que influenciam no ambiente interno e externo do escritório de advocacia. Essa matriz faz uma análise global da organização:
- Forças: fatores internos que evidenciam o escritório frente a seus concorrentes ou que a diferenciam no mercado. Por exemplo, o uso de tecnologias avançadas.
- Fraquezas: fatores internos que têm capacidade de interferir negativamente no desempenho do escritório frente a seus concorrentes.
- Oportunidades: fatores externos que podem ajudar o escritório a melhorar sua performance em relação aos concorrentes.
- Ameaças: fatores externos que podem prejudicar o escritório em relação aos stakeholders (clientes, fornecedores etc.) e ao mercado.
Cruzando esses elementos, os gestores conseguem compreender melhor os detalhes de sua atividade jurídica. A partir dessa análise, devem elaborar as linhas de ações necessárias para aprimorar sua gestão jurídica.
O papel da tecnologia no planejamento estratégico
O planejamento estratégico na advocacia é fundamental para que o negócio tenha resultados efetivos. Isso só será possível quando, a partir das ferramentas, se consegue analisar todas as condições que afetam a empresa, formular objetivos e metas reais, definir as ações para atingi-los e ter um plano de negócios executável.
O sócio que utiliza a tecnologia, como um software jurídico, para organizar seus processos internos tem mais chances de executar seu planejamento com sucesso. Que tal experimentar?
