Durante décadas, o crescimento de escritórios de advocacia esteve fortemente ligado à reputação construída no tempo e às indicações diretas de clientes satisfeitos. Entretanto, com a transformação digital, essa lógica começou a se expandir. Primeiro surgiram os sites institucionais. Depois, os blogs jurídicos. Em seguida, as redes sociais passaram a ocupar um papel central na construção de autoridade.
Hoje, o marketing no direito deixou de ser uma opção e se tornou uma ferramenta estratégica para advogados que desejam se posicionar, educar o mercado e atrair oportunidades de forma previsível. Ainda assim, é essencial compreender que essa atuação precisa respeitar rigorosamente o Código de Ética da OAB, mantendo o caráter informativo, discreto e educativo da comunicação jurídica.
Por isso, entender como utilizar as redes sociais dentro das regras não apenas evita riscos disciplinares, como também fortalece a imagem profissional e gera confiança no público.
O novo comportamento do cliente jurídico na era digital
Atualmente, o cliente jurídico é mais informado, mais comparativo e muito mais ativo em sua jornada de decisão. Antes mesmo de entrar em contato com um advogado, ele pesquisa no Google, consome conteúdos em redes sociais e busca referências sobre aquele profissional.
Nesse contexto, o marketing jurídico digital passa a cumprir uma função essencial. Ele educa, orienta e prepara o potencial cliente antes mesmo da primeira conversa. Além disso, contribui para reduzir objeções, alinhar expectativas e gerar uma percepção clara de autoridade.
Portanto, não se trata apenas de ser um bom advogado. Também é necessário saber comunicar valor, traduzir o jurídico para uma linguagem acessível e estar presente onde o público já está.
A importância das redes sociais para o marketing no direito
As redes sociais se consolidaram como um dos principais canais de relacionamento entre advogados e sociedade. Isso ocorre porque permite proximidade, constância e diálogo, elementos fundamentais para a construção de confiança.
Além disso, elas oferecem uma estrutura acessível para quem deseja iniciar no marketing jurídico, possibilitando:
- Conexão direta com potenciais clientes;
- Construção de autoridade em áreas específicas do Direito;
- Fortalecimento do relacionamento com a audiência;
- Geração de oportunidades qualificadas ao longo do tempo.
Entretanto, é fundamental reforçar que a atuação nas redes deve seguir as diretrizes da OAB. A publicidade jurídica não pode ser mercantilizada, sensacionalista ou voltada à promessa de resultados.
Principais redes sociais para advogados
LinkedIn e a construção de autoridade profissional
Quando o objetivo é posicionamento e networking, o LinkedIn se destaca como a principal rede social para advogados. Nele, é possível compartilhar análises jurídicas, artigos autorais, decisões relevantes e reflexões técnicas.
Além disso, o LinkedIn permite a construção de relacionamentos com outros profissionais, empresas e potenciais parceiros, fortalecendo a imagem institucional do escritório.
Instagram e a humanização da advocacia
Por outro lado, o Instagram se mostra altamente eficaz para aproximar o advogado do público. Através de stories, vídeos curtos e posts educativos, é possível responder dúvidas comuns, mostrar bastidores e explicar temas jurídicos de forma acessível.
Desde que respeitado o tom informativo, essa presença contribui significativamente para gerar identificação e lembrança de marca.
YouTube como canal de aprofundamento jurídico
Já o YouTube permite conteúdos mais aprofundados. Vídeos explicativos, entrevistas com especialistas e análises práticas ajudam a posicionar o advogado como referência em sua área de atuação.
Além disso, conteúdos em vídeo tendem a gerar maior tempo de contato com a audiência, o que fortalece ainda mais a autoridade.
X como espaço de debate e atualização
O X, antigo Twitter, é especialmente útil para comentários sobre atualidades jurídicas, decisões relevantes e debates técnicos. Embora exija cuidado redobrado com linguagem e posicionamento, pode ser um canal estratégico para visibilidade e relacionamento profissional.
Tipos de marketing digital aplicáveis à advocacia
1. Marketing de conteúdo jurídico
O marketing de conteúdo é uma das estratégias mais alinhadas ao Código de Ética da OAB. Ele se baseia na produção de materiais educativos, como artigos, vídeos e posts explicativos, com foco em orientar o público.
Nesse modelo, o objetivo não é vender serviços diretamente, mas informar. Como consequência, a autoridade é construída de forma natural e sustentável.
2. SEO jurídico e visibilidade orgânica
O SEO jurídico permite que conteúdos produzidos pelo escritório apareçam nos mecanismos de busca quando alguém pesquisa por temas relacionados ao Direito. Assim, o advogado passa a ser encontrado no momento exato da dúvida do potencial cliente.
Essa estratégia fortalece o marketing no direito ao unir conteúdo de qualidade com posicionamento orgânico.
3. E-mail marketing e relacionamento contínuo
Embora muitas vezes subestimado, o e-mail marketing continua sendo uma ferramenta eficaz. Ele permite manter contato com leads e clientes, compartilhar atualizações legais e reforçar a presença do escritório de forma discreta e ética.
Ética e limites do marketing jurídico segundo a OAB
O Código de Ética da OAB estabelece que a publicidade jurídica deve ser informativa, discreta e de interesse público. Portanto, práticas como promessa de resultados, oferta direta de serviços e estímulo à litigância são proibidas.
O Provimento 205/2021 reforça que o marketing jurídico é permitido, desde que exerça função informativa e institucional. A norma autoriza a divulgação de áreas de atuação, especialidades e conteúdos educativos em meios digitais, como artigos, palestras e redes sociais, mas que não haja caráter mercadológico, comparações entre profissionais ou promessa de resultados.
Dessa forma, a OAB busca equilibrar a transparência na comunicação com o público e a preservação da dignidade da profissão, reforçando a responsabilidade do advogado sobre os conteúdos divulgados e o respeito aos princípios éticos que regem a advocacia.
O que é permitido no marketing no direito?
Dentro dos limites estabelecidos pelo Código de Ética da OAB, o marketing no direito pode ser utilizado como instrumento legítimo de comunicação e posicionamento profissional. Algumas práticas são reconhecidas como adequadas e recomendadas na advocacia atual, como:
- Produção de conteúdos educativos voltados à orientação do público;
- Participação em eventos, palestras e debates jurídicos;
- Divulgação institucional do escritório e de suas áreas de atuação;
- Interação respeitosa e responsável com seguidores nas redes sociais;
- Aplicação de estratégias de inbound marketing, sempre com consentimento.
Quando aplicadas de forma estratégica e ética, essas ações contribuem para o fortalecimento da reputação profissional, ampliam a visibilidade do advogado e criam oportunidades qualificadas, sem comprometer os princípios que regem a advocacia.
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Marketing no direito como ferramenta de autoridade e posicionamento
Em síntese, o marketing no direito vai além da simples presença digital. Ele envolve planejamento, estratégia, ética e constância, sempre com foco no relacionamento. Quando bem aplicado, fortalece a autoridade do advogado, educa o público e gera oportunidades qualificadas.
Por isso, o marketing jurídico permite que o profissional seja encontrado no momento certo, pela pessoa certa, com expectativas alinhadas e confiança previamente construída. Dessa forma, o crescimento deixa de ser aleatório e passa a ser orientado por estratégia.
Se você deseja estruturar sua presença digital com ética e clareza, o primeiro passo é planejar sua estratégia de marketing jurídico, alinhando conteúdo, canais e objetivos à sua área de atuação. Afinal, investir em marketing jurídico é investir em posicionamento de longo prazo, sempre em conformidade com os valores da advocacia e as diretrizes da OAB.
FAQ sobre marketing no direito e redes sociais
LinkedIn, Instagram e YouTube são as mais utilizadas, desde que o conteúdo seja informativo e ético.
Funciona por meio da produção de conteúdo educativo que gera confiança e atrai oportunidades de forma indireta.
Ferramentas de CRM jurídico, automação de e-mail, SEO e gestão de redes sociais são as mais utilizadas.
Com foco em conteúdo educativo, segmentação de público e respeito ao Código de Ética da OAB.
Utilizando comunicação informativa, institucional e sem promessa de resultados.
O marketing de conteúdo aliado ao relacionamento e ao inbound marketing.
Para preservar a dignidade da profissão e evitar a mercantilização do Direito.
Por meio de conteúdo, relacionamento, eventos e presença digital ética e estratégica.