O que nos reserva o Direito nos próximos anos? É preciso olhar para trás e ver a caminhada até o momento, certo? Há alguns anos, tivemos a implementação do Processo Judicial Eletrônico, o PJ-e. Mudanças nas legislações trouxeram normas mais adequadas à realidade brasileira. Veio o Marco Civil, a LGPD e muitas outras que abordavam diferentes aspectos sociais.
A transformação digital vem mudando nossas relações. A tecnologia já permeia relações pessoais e profissionais, trazendo novos desafios para todos os operadores jurídicos. E que podemos esperar do Direito do futuro?
As tendências jurídicas dos próximos anos
Big Data e I.A. já estão presentes nos escritórios de advocacia, nos órgãos públicos e nos departamentos jurídicos. Ainda que de maneira tímida, esses locais utilizam soluções que integram essas tecnologias. É o caso do software jurídico, que é capaz de fazer a captura automática de andamentos processuais, identificar tendências e outras tarefas.
Chatbots já são empregados nas páginas de Facebook e no site do escritório para aprimorar o relacionamento com o cliente. Já existe revisão contratual feita por I.A., bem como a mineração de dados a partir da leitura automática de documentos.
Diante disso, o que será o Direito do futuro? Quais são as tendências jurídicas para os próximos anos? De forma resumida, teremos a Advocacia 5.0, que é a tecnologia e o advogado a serviço das pessoas.
Legal Design e Visual Law
Margareth Hagan, autora do livro Law by Design e professora da Universidade de Stanford, conceitua o Legal Design como:
“a aplicação do design centrado no ser humano ao mundo do Direito para tornar os sistemas e serviços jurídicos mais centrados no ser humano, utilizáveis e satisfatórios”.
Um aviso de privacidade adequado à LGPD que traz uma linguagem clara e simples atende a esse conceito. Um infográfico que explica ao cliente o caminho que um processo jurídico percorre na Justiça também é um exemplo de aplicação do Legal Design.
Percebe como eles se enquadram exatamente na Advocacia 5.0? Ao aplicar conceitos de Design Thinking e focar na compreensão do ser humano sobre serviços e sistemas jurídicos, podemos prevenir e resolver muitas questões.
Assim, tornamos o Direito mais amigável para cidadãos e empresas, ao invés de focar na ótica dos operadores. Os benefícios são inúmeros, mas sem dúvidas você promoverá uma melhor relação com seus clientes.
Seguindo a mesma ideia, temos o Visual Law, que utiliza a imagem para promoção da interação dos usuários com documentos jurídicos. O objetivo é tornar a informação jurídica acessível a qualquer pessoa.
Fluxogramas, bullet points, vídeos, linhas do tempo e infográficos são recursos visuais muito utilizados para transformar a mensagem jurídica em um texto compreensível e claro. O texto também se torna mais leve.
Mais uma vez, o propósito de colocar o ser humano no centro é atingido. O Direito do futuro busca se aproximar ainda mais das pessoas.
Legal Analytics e o Direito baseado em dados
No Direito, lidamos com um volume enorme de dados diariamente. Na era digital em que estamos, robôs de automação dos softwares alimentam o chamado Big Data Jurídico, essas grandes bases de dados de processos judiciais. De igual maneira, dão ao gestor jurídico dados que, se corretamente analisados, subsidiam as decisões do escritório.
Esse novo contexto traz como uma tendência jurídica a ciência de dados aplicada ao Direito. À aplicação de dados aos negócios jurídicos por meio de I.A. e machine learning damos o nome de Legal Analytics (L.A.).
Se você já conhece o conceito de Business Intelligence (BI), Legal Analytics é aplicar B.I. no Direito para classificação de grandes quantidades de dados. E quais são as aplicações do Legal Analytics? Veja a seguir algumas delas:
- Marketing: compreender o cliente ideal, fazer benchmarking e entender a posição do negócio em relação ao mercado.
- Jurimetria: analisar leis, documentos, decisões judiciais e dados de gestão para descobrir padrões e tendências.
- Pesquisa jurídica: identificação de precedentes ou normas para dar vantagem aos profissionais no tribunal.
- Insights de negócios: L.A. pode ser uma ferramenta de monitoramento de métricas e indicadores.
Ao utilizar as ferramentas de Legal Analytics, o escritório ou departamento jurídico adota uma gestão mais assertiva, baseada em dados, não em suposições. A aplicação da Advocacia 5.0 é mais segura, pois os advogados se resguardam com as informações e reduzem a margem de erro ao atuar.
A Integração de Chatbots e ChatGPT
Pensar no Direito do futuro, impulsionado pela transformação digital e pela adoção de tecnologias inovadoras, e não pensar no impacto de tecnologias de linguagens generativas pré-treinadas, como o chatGPT é quase impossível. Os chatbots já estão sendo empregados em diversas áreas do Direito, como nos sites de escritórios de advocacia e nas páginas de redes sociais, com o objetivo de aprimorar o relacionamento com os clientes. Essa interação automatizada, realizada por meio de chatbots, agiliza o atendimento ao cliente e oferece uma experiência mais conveniente.
Por outro lado, o chatGPT, que é um modelo de linguagem baseado em inteligência artificial, tem sido utilizado para auxiliar na revisão contratual e na mineração de dados a partir da leitura automática de documentos. Ele é capaz de analisar grandes volumes de texto jurídico, identificar padrões e tendências, proporcionando insights valiosos para os profissionais do Direito. Nessa nova era, a tecnologia e o advogado trabalham em conjunto para fornecer um serviço mais eficiente e centrado nas necessidades das pessoas. Os chatbots agilizam o atendimento e fornecem respostas rápidas, enquanto o chatGPT auxilia na análise de documentos e na pesquisa jurídica, permitindo que os advogados tomem decisões embasadas em dados.
Mercado de trabalho: os profissionais do Direito do futuro
Com a transformação digital, os profissionais do Direito conseguiram otimizar diversas tarefas que antes executavam. Quanto mais a tecnologia entrou na rotina desses operadores, porém, mais eles precisaram se adaptar.
Atualmente, bons profissionais do Direito não têm apenas conhecimento técnico. Se estamos na Advocacia 5.0., com o advogado e a tecnologia a serviço do ser humano, é preciso ter outras habilidades.
Os relacionamentos interpessoais ganham outra relevância. O trabalho colaborativo exige habilidades de comunicação, liderança e negociação. O atendimento ao cliente exige empatia, escuta e proatividade.
Seguindo nesta linha da relação com o cliente, vemos uma padronização nos serviços devido à tecnologia. Mas, ao contrário disso, é preciso personalizar a advocacia. Dar atenção especial a cada cliente é um diferencial. Os conceitos de Customer Experience e Customer Success devem ser levados em consideração.
Esses são só exemplos do perfil de profissional do Direito do futuro.
Controller Jurídico
O controller jurídico é o responsável pela controladoria jurídica. Essa equipe estratégica dá suporte à área técnica na advocacia, assumindo atividades delegáveis. Na prática, os profissionais técnicos ficam somente com as funções estratégicas e não-delegáveis.
Para entender a controladoria na prática, pense que as informações do escritório ou departamento percorrem um caminho até o fim da questão. A controladoria gerencia essas informações, as registra e as submete a um determinado fluxo de trabalho. Tudo utilizando um software jurídico de qualidade.
Ao centralizar os serviços jurídicos, garante agilidade, qualidade, segurança e efetividade. Controle de agenda, publicações de processos, diligências, cadastros e protocolos, gestão de correspondentes jurídicos, tudo é responsabilidade da controladoria.
Em suma, ela assume todos os aspectos administrativos que não são da atividade jurídica em si.
O controller jurídico é um profissional do Direito do futuro. Ele está no comando dessa equipe, sendo responsável por medir resultados e propor melhorias nos processos internos. É desejável que ele tenha, além do conhecimento jurídico, alta maturidade digital para dominar o software.
Empresários de Legaltechs e Lawtechs
As startups jurídicas, também conhecidas como Legaltechs e Lawtechs, têm ganhado destaque nos últimos anos.
De acordo com o radar da AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs), atualmente existem mais de 100 Legaltechs e Lawtechs no Brasil. Além disso, essas empresas inovadoras atuam em diversas áreas, como compliance, conteúdo jurídico, gestão de escritórios e departamentos jurídicos, redes de profissionais, entre outras frentes.
O objetivo principal dessas startups é criar produtos ou serviços que solucionem problemas enfrentados por cidadãos e operadores do Direito. Percebe a semelhança com a proposta da Advocacia 5.0? Justamente por isso, os empresários por trás dessas startups jurídicas representam profissões do Direito do futuro.
Se você possui as competências necessárias para ser um empreendedor, excelente. No entanto, será fundamental contar com o apoio de um profissional que trabalhe como Desenvolvedor de Negócios em Startups Jurídicas.
Além disso, esse profissional desempenha um papel estratégico, ajudando a mapear o relacionamento com os clientes. Ele possui grande capacidade de negociação, visão empreendedora e habilidades alinhadas às demandas da era digital, o que é essencial para o sucesso dessas iniciativas inovadoras.
Gestor de privacidade
A LGPD bateu à porta de todas as empresas, que correram contra o tempo para se adequarem à nova lei. Esse retrato da GDPR (legislação europeia de proteção de dados pessoais) é uma boa lei, mas acabou de chegar. É provável que, com o passar do tempo, venham mudanças.
De toda forma, é fundamental para qualquer empresa ter uma profissional especialista em gestão de privacidade. Por isso, esse gestor estará no Direito do futuro. Ele faz a ponte com a agência reguladora e coordena as ações necessárias para as empresas se manterem em conformidade.
Profissões multidisciplinares (Direito + TI)
Nada é tão adequado ao Direito do futuro quanto às profissões multidisciplinares, em especial as que misturam Direito e Tecnologia da Informação. Quer alguns exemplos? Veja:
- Gerente de projetos para tecnologia: presente em empresas de tecnologia com departamentos jurídicos grandes, o gerente de projetos é, normalmente, da área de Direito. Ele negocia, mantém e renova contratos.
- Analista de dados: lembra que falamos do Legal Analytics? O trabalho do analista é usar os dados e as informações de casos judiciais para prever resultados de questões jurídicas e auxiliar os advogados.
- Arquiteto jurídico: profissional que trabalha e compreende os processos e dados envolvidos na questão de um cliente e, a partir da coleta, pensa em soluções em conjunto com um engenheiro jurídico.
- Engenheiro Jurídico: é a mistura de advogado e programador. Ele auxilia seus clientes a criar sistemas jurídicos especializados e a programar outras soluções.
- Profissional de segurança cibernética: para conter as ameaças de invasões, violações e perdas de dados, é uma nova carreira para bacharéis em Direito.
Profissional de Compliance e gestão de risco
Já parou para pensar na conformidade do seu negócio? E do negócio do cliente? Em outra oportunidade, definimos o compliance da seguinte maneira:
Compliance é um conjunto de ferramentas estratégicas que concretiza os valores, a visão e a missão de uma empresa.
É o mesmo que cumprir regras formais e informais? Em partes. Neste caso, o profissional de Compliance faz uma gestão de riscos legais e regulatórios. No entanto, Compliance envolve muito mais: são padrões, procedimentos legais e éticos, além de regras que orientam o comportamento de uma empresa e seus profissionais.
Certamente, uma empresa bem vista no mercado, com boa reputação, provavelmente conta com um ótimo profissional de Compliance. Além disso, na advocacia e em qualquer outra atividade econômica, o Compliance desempenha um papel fundamental. Ele atua na prevenção de conflitos de interesse, na adoção de condutas éticas e legais, no cumprimento de normas, na transparência na condução dos negócios, na disseminação da cultura organizacional e, ainda, no combate à lavagem de dinheiro.
Seguindo essa mesma linha, temos o gestor de risco, que desempenha um papel complementar. Ele ajuda o gestor, seja jurídico ou de outra área, a avaliar riscos relativos à segurança da informação. Além disso, ele pode atuar em parceria com o profissional de Compliance e com o gestor de privacidade, formando uma equipe integrada para garantir a segurança e a conformidade em todas as frentes.
Protetor de ativos digitais
Nos últimos anos, o valor das mídias sociais cresceu exponencialmente. Alguns trabalhadores podem ter a carreira prejudicada ao perder um perfil na rede social, por exemplo. Não à toa, eles investem bastante para levar bons conteúdos. Sua rede social é um ativo digital.
Contas bancárias digitais, documentos comerciais digitais, propriedade intelectual, informações financeiras, contas de mídias sociais, tudo isso são ativos digitais. Por estarem cada dia mais valiosos e receberem muito investimentos, temos empresas contratando especialistas em proteção de ativos digitais.
É uma profissão que apareceu há pouco tempo, mas estará no Direito do futuro.
Head de inovação jurídica
Falamos de diversas profissões do Direito do futuro, e todas estão claramente conectadas à transformação digital. Nesse cenário, como avançar na inovação sem um profissional dedicado a “guiar” as equipes?
Embora o Direito seja um ramo tradicional e conservador, inovar é um desafio significativo para muitos escritórios e departamentos jurídicos. Afinal, lidar com modelos de trabalho consolidados, mas ultrapassados, pode ser complicado.
É nesse contexto que surge o Head de Inovação Jurídico. Esse profissional, com forte capacidade de diálogo e conhecimento técnico em Direito e tecnologia, atua como um líder que equilibra inovação e tradição. Ele promove uma nova cultura organizacional voltada à inovação e é essencial para escritórios que desejam se manter competitivos.
O Direito do futuro é tecnológico. Já vivemos uma transição impulsionada pela transformação digital, e as plataformas de gestão jurídica são ferramentas fundamentais nesse processo. Elas não só otimizam processos internos, mas também trabalham para beneficiar advogados e clientes. Essas tecnologias, como o CPJ-3C, continuarão evoluindo para atender às novas demandas. Conheça mais sobre o CPJ-3C e veja como ele pode te ajudar a alcançar o próximo nível de inovação!